segunda-feira, novembro 29, 2004

Tout Court

Deixa que toque o requiem.
Não procures nenhuma outra música que possa induzir-nos à alegria, porque nós não sabemos o que isso seja.
Confundimo-la com este estado eufórico com que tentamos desentediar-nos do mundo.
A alegria, se o fosse, rodaria sobre o caule a cabeça
sempre e só à procura do sol.
E, caindo a noite, dormiria.
Nós?
Temos duas pernas em cada tronco que uma na outra se ensarilham, sentadas, e que só se desenlaçam para partir.
Mais nada.
E caindo a noite, como agora, desdobram-se numa insónia sem sentido.
Podes mudar o disco.
Mantém-me só no mesmo registo.
Quero-me lúcida como se a morte fosse agora mesmo e me mandasse que levasse comigo ("vite, vite!") uma mala leve e dentro dela o mais imprescindível de mim.
E me dissesse num francês que tão bem contradiz a solidez de um túmulo:

Chère madame, veuillez laisser sur terre vos amis éphémeres.
Votre vanité aussi, madame, elle ne vous est plus nécéssaire.
Quant à vos chants d'oiseaux et à votre inquiétude,
se serait ridicule dans un lieu si lugubre.
Calmez-vous, madame, faite pas cette mine:
il ne vous faut que trouver un petit peu d'estime.

Boa noite.

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