terça-feira, novembro 30, 2004

O Homem-Sombra/Parte 2

Shshshshshshshsh!!!que há uma mulher que quase dorme, as pálpebras indecisas entre as escandalosas propostas da noite e o cântico milenar do sonho.
Sobre ela, contra a luz que se perde acesa para nada, debruça-se agora uma sombra que mal lhe beija a testa.
A mulher sente-a.
"Só mais um suspiro para recompor o tempo" - pensa que pensa - "para transferir os mundos e para que a minha alma decida."
No chão ficou, em página incorrecta, a última linha que leu, um aperitivo para o que se segue.
Uma sombra agarra o livro, protege a página, apaga a luz.
Há agora uma mulher que dorme à sombra.

Quem, como ela, inventado para correr os dias a fio, atraído pela multidão que atrai, rarefeito pelo seu próprio tecido de luz inquieta, quem assim poderia sobreviver sem uma sombra emprestada?
E que sombra se emprestaria com este absoluto, se não amasse em quem dorme o que mais ninguém suspeita em quem luz?
Quem poderia luzir assim se uma sombra não acautelasse, a cada segundo, as ameaças ao seu brilho?
Amai, pois, (quaisquer que sejam) os vossos heróis. A eles devemos a nossa visibilidade.

Há um homem que nunca dorme, atento, junto a uma mulher sem sombra.

1 Comentários:

Blogger Tom disse...

Espero que continues respirando. A sombra ou ao sol. Dorme. Se calhar é sono esse teu mal.( mal é apelido, que nome próprio em ti não se escreve com uma linha, talvez a biblia servisse, se bem comprimida com a mais zip tecnologia). Cuidado com o francês. É uma bela língua em decadência.Não assustes os teus leitores, falando uma língua morta. Talvez uzbeque, babilónia.

12:15 da tarde  

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